Dinâmica do mercado de trabalho no cultivo de soja no Brasil

Luís Abel da Silva Filho, Fládia Valéria Dantas dos Santos, Maria Messias Ferreira Lima

Resumo


A dinâmica da atividade agropecuária brasileira orientou a produção em larga escala para o mercado nacional e internacional nas últimas décadas. A sojicultura brasileira é destaque no mercado internacional de produtos agropecuários. A entronização de tecnologia de ponta no setor permitiu a elevação acentuada da produtividade. Porém, é pertinente enfatizar as transformações vivenciadas pela força de trabalho. Diante disso, é pretensão deste artigo analisar o mercado de trabalho e sua dinâmica no cultivo de soja em anos recentes. Os dados são da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE). O recorte temporal compreendem os anos de 2007 a 2011. Metodologicamente, recorre-se a uma revisão de literatura e em seguida a construção das taxas de criação/destruição de postos de trabalho. Os principais resultados indicam que o Nordeste se destaca com a maior taxa de crescimento de ocupados no cultivo de soja, com variação de 61,75%, bem como com as maiores taxas de criação líquida tanto no primeiro quanto no último ano analisado, sendo elas de 0,54 e 0,16, respectivamente, mesmo com redução acentuada do primeiro para o último biênio. Além disso, o microestabelecimento participou intensamente na ocupação majoritária de mão de obra, mesmo apresentando a menor variação entre os estabelecimentos. A participação masculina é sobremaneira acentuada, já que respondia por 88,4% dos ocupados no primeiro e eleva-se para 87,0% no último biênio. Além disso, registrou-se elevada participação de trabalhadores pertencentes às primeiras faixas etárias. Em relação à taxa de criação líquida de postos de trabalho, os principais resultados revelam a melhor performance para jovens com idade de até 24 anos, em ambos os recortes temporais estudados. A escolaridade intermediária foi preponderante no que se refere às taxas de criação líquida, já que as melhores delas foram verificadas para aqueles com ensino médio e superior nos dois anos em tela. Adicionalmente, foi constatada criação líquida de postos de trabalho acentuadamente elevada para aqueles que auferiam rendimentos nas primeiras faixas salariais, uma vez que as taxas de criação líquida foram positivas apenas para as faixas que remuneravam até 1,0 e mais de 1,0 e até 2,0 salários mínimos nos anos em observação.

Palavras-chave


mercado de trabalho, criação e destruição de postos de trabalho, sojicultura brasileira.

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ISSN: 2178-4833